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sexta-feira, 18 de julho de 2014

A CONDIÇÃO HUMANA NO OLHAR DA FILOSOFIA







"Se filosofar é descobrir o sentido primordial do ser não se filosofa afastando-se da condição humana; é necessário, ao contrário, aprofundar-se nela". (MerleauPonty).


O sentido primordial do ser foi a preocupação primeira daqueles que posteriormente foram denominados "filósofos". Estes pensadores viram diante de si algo "thaumaston", algo extraordinário que os surpreendia arrebatando-lhes o olhar.

Aristóteles afirma: " Na verdade, foi pela admiração que os homens começaram a filosofar tanto no princípio como agora", ou seja, thaumazein , admirar-se em grego. Ver ,olhar e admirar-se. Depois do estado de admiração, o objeto se manifesta, provocando vontade de saber. Com este querer saber pelo saber nasce a filosofia. O que admirava os primeiros filósofos era a natureza.
 Só mais tarde Sócrates se voltou para o homem e as suas dificuldades. Referindo-se à sua interioridade, a psyché, a alma como sede de areté, virtude. A filosofia é portanto um exercício de conhecimento e não tem uma finalidade utilitária. A questão básica apresenta duas vertentes: o que é o homem? e quem é o homem? Com o humano no âmago da questão: quem sou eu? Questionar-se sobre o sentido de seu existir passa a ser thaumaston. A compreensão da natureza (mundo) e do outro na tríade Eu-Natureza-Outro articula-se dialeticamente com a compreensão de si.

 O homem questiona-se e como logon echon – toma a palavra. A linguagem torna-se arché (princípio), onde se baseiam essas relações, definindo a "condição humana" como situação e transcendência. Sobre a palavra constituiu-se, hoje, a linguagem como instrumento de conhecimento e comunicação. Atualmente, pelas ciências conhecemos diversas facetas dos "homines": sapiens, loquax, ludens, socialis, economicus, religiosus, cyberneticus e, recentemente, homo symbioticus! A ideia do homem é pluriversal e universal. Merleau-Ponty afirma "quando não é inútil, o recurso a um fundamento absoluto destrói aquilo mesmo que deve fundar”. A situação de “pluriversidade” cultural gera um campo de debate onde inúmeras interpretações se fertilizam reciprocamente. É diante de nós, na coisa onde nos coloca a nossa percepção, nesse diálogo do qual não conhecemos ainda toda a elasticidade e força, que se encontra o germe da universalidade. Diante das mudanças de ordem econômica, social, cultural e política, o indivíduo vê transfigurar-se a sua "condição". Uma ideia unitária de homem não encontra hoje sentido. A interelação entre autorepresentação e o próprio ser do homem como existente histórico e social, refletindo-se dialeticamente é evidente. Homem situado, condição que o leva a questionar-se como existente. “O que é existir? " O sujeito humano como possuidor da palavra - logon echon - expressa essa auto-apreensão considerada um dos elementos constitutivos de seu próprio existir. Tal auto-apreensão não é mera intuição, mas uma decifração. 

A compreensão implica um posicionar-se frente a si próprio, relaciona-se com o próprio existir, com aquilo no que ele se transforma ao existir. Um existir concreto e a constituição de um conceito do humano. O mundo é constituído pela relação entre homem e as coisas numa relação de interdependência O homem habita o mundo de dois modos: pela ação (praxis) e pela compreensão.
 O meio ambiente oferece ao homem os meios para a obra, o homem humaniza a natureza e esta o naturaliza. Esta habitação pela ação é o solo primeiro de expressão daquilo que se entende por experiências vividas concretas, eventos que, por serem vividos, posso apreende-los através de expressão. Estes eventos visam, no homem, o plano de realização de si, pessoal. As obras escondem, no entanto, a face do homem, "exprimem" ao observador uma imagem. Esta expressão revela, invariavelmente, uma redução. Exprimem também aquilo que nos falta, que carecemos ou aspiramos.

 As nossas manifestações têm duas faces: uma retrospectiva e outra prospectiva. Enquanto a primeira diagnostica o que o homem é, a outra anuncia uma possibilidade do caminho ideal. Através das realizações chegamos ao sentido do realizar, a uma compreensão reflexiva. Não numa pura volta da consciência sobre si mesma mas com uma finalidade interior.


Fonte: http://filosofando.no.comunidades.

 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte 

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