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quarta-feira, 23 de julho de 2014

ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL, MOBILIDADE SOCIAL E DESIGUALDADE SOCIAL



ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL, MOBILIDADE SOCIAL E DESIGUALDADE SOCIAL

Fonte:http://karlamoraessociologia.blogspot.com


As desigualdades sociais são nitidamente perceptíveis no
nosso cotidiano. Basta sairmos às ruas para notar, de um lado, uma
grande massa de pessoas que, embora diferentes entre si, revelam
certa semelhança e, de outro, uma minoria que se destaca claramente
da grande massa. Essas diferenças aparecem, num primeiro plano,
vinculadas às coisas materiais, ou seja, à roupa que se usa, ao modo de
se locomover a pé ou de carro-, etc. Mas existem outras desigualdades
que não se expressam tão claramente: as que estão relacionadas com a
religião, com os conhecimentos, profissões, com o sexo ou a raça.


ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL

l. As castas
O sistema de castas é uma das formas específicas de
organização social em muitos lugares e tempos. No mundo antigo,
temos uma série de exemplos da organização em castas (Grécia, China,
etc.). Mas é na índia que, temos a expressão mais acabada desse
sistema. Desde há muito, a Índia se organizou em um sistema de
castas, em que a hierarquização se dá com base na hereditariedade e
nas profissões. Esse sistema é muito rígido e fechado
Pode-se esquematizar a estratificação social indiana pela
seguinte pirâmide social de casta:
• brâmanes, sacerdotes e mestres da erudição sacra. A eles compete
preservar a ordem social sob a orientação divina.
• xátrias, guerreiros que formam a aristocracia militar; entre eles estão
governantes de origem principesca, que têm a função de proteger a
ordem social e o sagrado saber.
• váixás, a terceira grande casta, são os comerciantes, os artesãos, os
camponeses.
• sudras executam os trabalhos manuais e as ocupações servis de toda
espécie e constituem a casta mais baixa; é seu dever servir
pacificamente às três castas superiores.
• parías (abaixo da pirâmide social), grupo de miseráveis, sem direito a
quaisquer privilégios, sem profissão definida e que só inspiram asco e
repugnância às demais castas; vivem da piedade alheia; por serem
considerados impuros, não podem banhar-se no rio Ganges (o que é
permitido às outras castas), nem ler os Vedas, que são os livros Sagrados
dos hindus. Os párias aceitam o seu lugar na sociedade e se conformam
com a imutabilidade de sua situação (por mais desprezível e inferior que
seja) por acreditar na transmigração da alma, isto é, acreditam numa outra
vida, em que poderão ocupar uma posição social melhor.
O sistema de castas caracteriza-se por relações muito estanques, e
a posição dos indivíduos é definida pela herança, isto é, quem nasce numa
casta não tem como sair dela e passar para outra. Não há mobilidade nesse
sistema. Assim, a hereditariedade (transmissão da situação), a endogamia
(casamentos só no interior da casta), além da questão da alimentação (as
pessoas só podem se alimentar junto com os membros da sua própria casta e
com alimentos recomendados e preparados por ela mesma) e do fato de não
poder haver contato físico entre membros das castas inferiores e superiores,
são os elementos mais visíveis dessa relação.
Entretanto, há uma mudança. E isso acontece também no
sistema de castas. Alguns costumes, os ritos e as crenças dos
brâmanes, por exemplo, são adotados pelas castas inferiores.
Com a urbanização e a industrialização crescentes, e com a
introdução de padrões comportamentais ocidentalizados, tem levado
elementos oriundos de castas diferentes, os xátrias, os vaixás, a saírem da
índia para negociar, assim eles não são vistos como pertencente a uma
casta determinada, mas, com um indivíduo em negócio ou um diplomata.
O sistema de castas indiano sofreu algumas mudanças, e
atualmente, em que a questão da riqueza não tem uma relação direta
com a casta na qual se está inserido. Assim, um indivíduo de uma
casta inferior pode ter muitas posses, mas esses bens não o
introduzem numa casta superior nem lhe dão maior autoridade
dentro do sistema de castas, embora confira poder econômico,
trazendo-lhe outra forma de distinção(fora).
No final do século XX, os grandes centros, principalmente
Nova Délhi e Calcutá, a abolição desse sistema vem sendo processada
gradativamente. Entretanto, ele ainda é rígido nas aldeias. Por influência
da religião, o sistema de castas está arraigado no íntimo de cada hindu,
sendo difícil desmontá-lo.
Em teoria, o sistema de castas foi abolido oficialmente no país
em 1947. Basta, porém, andar pela Índia para constatar que o decreto
de 1947 nada significa socialmente. A lei das castas sociais persiste. Os
indianos das castas superiores não aceitam perder o privilégio,
submetendo os parias aos empregos mais subalternos, como
limpadores de fossas e lavadores de cadáveres.



2. OS ESTAMENTOS OU ESTADOS
Estamentos ou estado é uma camada social semelhante à casta,
porém mais aberta. Na sociedade estamental a mobilidade social vertical
ascendente é difícil, mas não impossível como na sociedade de castas.
Na sociedade feudal os indivíduos só muito raramente
conseguiam ascender socialmente. Essa ascensão era possível em alguns
casos: quando a Igreja recrutava, em certas ocasiões, seus membros
entre os mais pobres; quando os servos eram emancipados por seus
senhores; caso o rei conferisse um título de nobreza a um homem do
povo; ou, ainda, se a filha de um rico comerciante se casasse com um
nobre, tornando-se, assim, também membro da aristocracia. Eram
situações difíceis de acontecer; normalmente as pessoas permaneciam no
estamento em que haviam nascido.
A pirâmide social do estamento durante o feudalismo
apresentava-se da seguinte maneira: (l. nobreza a alto clero, 2.
comerciantes, adesões e baixo clero, 3. servos)
A possibilidade de mobilidade de um estamento para
outro existia, mas era muito controlada, ainda que factível - alguns
chegaram a conseguir títulos de nobreza, o que, no entanto, não
significava obter o bem maior, que era a terra. Ela era à base de toda
riqueza e poder na sociedade feudal, tornando os indivíduos livres e
poderosos. A propriedade da terra definia o prestígio e poder dos
indivíduos. Os que não a possuíam eram dependentes, econômica e
politicamente, além de socialmente inferiores.
O que explica, entretanto, a relação entre os estamentos é
sempre uma relação de reciprocidade. No caso da sociedade feudal,
existia sempre uma série de obrigações dos servos para com os
senhores (trabalho) edestes para com os servos (proteção), ainda que
camponeses e servos estivessem sempre em situação de inferioridade.
Sem nenhuma dúvida, a organização social baseada em
estamentos também produz, como na sociedade de castas, uma
situação de privilégio para alguns indivíduos. No caso da sociedade
estamental, os privilégios estavam diretamente ligados à honra e a terra.
Aqueles que dominavam (a nobreza e o clero) eram os que se situavam
melhor no código de honrarias que vigorava naquela sociedade.

3. AS CLASSES SOCIAIS
As classes sociais expressam, no sentido mais preciso, a forma
como as desigualdades se estruturam nas sociedades capitalistas.
KarI Marx foi quem procurou colocar no centro de sua análise a
questão das classes. Para ele, dependendo de cada situação histórica, pode-se
encontrar muitas classes no interior dessas sociedades. Entretanto, pelo
fato de serem capitalistas, isto é, de serem regidas por relações em que o
capital e o trabalho assalariado são dominantes, em que a propriedade privada
é o fundamento e o bem maior a ser preservado, pode-se afirmar que existem
duas classes fundamentais a burguesia (que personifica o capital) e o
proletariado (que personifica o trabalho assalariado).
Essa desigualdade se explica porque são diferentes as relações
que as pessoas mantêm com os elementos de produção (trabalho e meios
de produção). O prestígio social está associado às relações entre as
pessoas e os elementos da produção: os proprietários dos meios de
produção sempre gozam de maior prestígio social do que os trabalhadores.

MOBILIDADE SOCIAL

Mobilidade social é a mudança de posição social de uma
pessoa num determinado sistema de estratificação social.

Em maio de 1953, Lourenço Carvalho de Oliveira, nascido na
pequena aldeia de Vigia, no norte de Portugal, desembarcou no porto de
Santos, depois de onze dias de viagem na terceira classe do Vera Cruz. Em
sua terra deixara a mulher e três filhos pequenos, vivendo graças à
solidariedade de parentes e vizinhos. Foi morar de favor na casa de um
primo e arrumou emprego como ajudante num bar. Economizou muito,
mandou buscar a família e conseguiu, depois de anos de trabalho e
privações, abriu uma pequena venda em sociedade com um amigo. O
negócio foi crescendo: primeiro uma mercearia, depois um mercado, a
seguir outro e mais outro. Agora, 35 anos depois de chegar ao Brasil, o sr.
Lourenço é dono de uma grande rede de supermercados, tendo se tomado
um dos mais influentes membros da Associação Comercial. Seus filhos têm
curso superior e um deles é professor na Universidade de São Paulo.
Esse caso mostra que os indivíduos, numa sociedade
capitalista, estratificada em classes sociais, podem não ocupar um
mesmo status durante toda a vida. É possível que alguns deles, que
integram a camada de baixa renda (classe C), passem a integrar a de
renda média (classe B). Por outro lado, alguns indivíduos da camada de
alta renda (classe A), por algum acontecimento, podem ver sua renda
diminuída, passando a integrar a camada B ou C.

Tipos de mobilidade social

Vertical poder ser:
- ascendente(subida) - quando a pessoa melhora sua posição no
sistema de estratificação social, passando a integrar um grupo em geral
economicamente superior ao de seu grupo anterior;
- descentente(descida) - quando a pessoa piora sua posição no
sistema de estratificação social, passando a integrar um grupo em geral
economicamente inferior.

O filho de um operário que, pelo estudo, passa a fazer parte
da classe média é um exemplo de ascensão social. A falência e o
consequente empobrecimento de um comerciante, por outro lado, é um
exemplo de queda social.

HORIZONTAL
Uma pessoa que muda de posição dentro do mesmo grupo
social. Ex: Um jovem cientista(bolsista) que pretende ser um
dentista(prestigio e mais rendimentos). A situação mostra uma pessoa
que experimentou alguma mudança de posição social, mas que, apesar
disso, permaneceu na mesma classe social.


FACILIDADES, OPORTUNIDADES E RESTRIÇÕES.

O fenômeno da mobilidade social varia de sociedade para
sociedade. Em algumas sociedades ela ocorre de maneira mais fácil; em
outras, quase inexiste no sentido vertical ascendente. Em geral é mais fácil
ascender socialmente em São Paulo do que numa cidade do Nordeste.
A mobilidade social ascendente também é mais comum na
sociedade americana do que no Brasil. Esse tipo de mobilidade é mais
intenso numa sociedade aberta, democrática - como os Estados Unidos
-, do que numa sociedade aristocrática por tradição, como a Inglaterra.
Entretanto, é bom esclarecer que, numa sociedade capitalista
mais aberta, dividida em classes sociais, embora a mobilidade social vertical
ascendente possa ocorrer mais facilmente do que em sociedades fechadas,
ela não se dá de maneira igual para todos os indivíduos. A ascensão social
depende muito da origem de classe de cada indivíduo.
Alguém que nasce e vive numa camada social elevada tem
mais oportunidade e condições de se manter nesse nível, ascender
ainda mais e se sair melhor do que os originários das camadas
inferiores. Isso pode ser facilmente verificado no caso dos pretendentes
aos cursos universitários. Aqueles que desde o início de sua vida
escolar frequentaram boas escolas e, além disso, estudaram em
cursinhos preparatórios de boa qualidade têm mais possibilidade de
aprovação no vestibular das universidades não pagas, federais e
estaduais. É por isso que a maioria dos alunos das melhores
universidades são originários da classe média e da classe alta.
Alguém que nasce e vive numa camada social elevada tem mais
oportunidade e condições de se manter nesse nível, ascender ainda mais e
se sair melhor do que os originários das camadas inferiores.

FONTE: WIKIPÉDIA
PORTALIMPACTO.COM.BR


ATIVIDADE

01. (UFBA/2002) Leia o texto abaixo e indique a alternativa que você
considera correta:

DESIGUAIS NA VIDA E NA MORTE
Jurandir Freire Costa
A morte de Ayrton Senna comoveu o país. O desalento foi
geral. Independentemente do "big carnival" da mídia, todos perguntavam
o que Senna significava para milhões de brasileiros. Por que a perda
parecia tão grande? O que ia embora com ele?
Dias depois, uma mulher morreu atropelada na avenida das
Américas, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Ficou esendinda na estrada
por duas horas. Como um "vira-lata", disse um jornalista horrorizado
com a cena! Nesse meio tempo, os carros passaram por cima do corpo,
esmagando-o de tal modo que a identificação só foi possível pelas
impressões digitais. Chamava-se Rosilene de Almeida, tinha 38 anos,
estava grávida e era empregada doméstica.
(...) pode-se dizer, de um lado, o sucesso, o dinheiro, a
excelência profissional, enfim tudo o que a maioria acha que deu certo e
deveria ser a cara do Brasil, do outro a desqualificação, o anonimato, a
pobreza e a promessa, na barriga, de mais uma vida severina.
O brasileiro quer ser visto como sócio do primeiro clube e não do
segundo. Senna era um sonho nacional, a imagem mesma da chamada classe
social "vencedora"; Rosilene era "o que só se é quando nada mais se pode
ser", e que, portanto, pode deixar de existir sem fazer falta. Luto e tristeza por
um; desprezo e indiferença por outro. Duas vidas brasileiras sem denominador
comum, exceto a desigualdade que as separa, na vida como na morte.
Folha S.Paulo, 1994, p.6-15.

A desigualdade apontada no texto acima é:

a) Decorrente das oportunidades que existem, onde uns conseguem
aproveitar e outros não.
b) Resultado das diferentes possibilidades de mobilidade social que
existem para os homens e as mulheres na nossa sociedade.
c) Resultado de relações sociais de exploração e da participação
desigual na apropriação da riqueza gerada pela sociedade.
d) Resultado da posição que as pessoas ocupam na hierarquização da
sociedade em função das atividades profissionais que possuem.
e) Resultado da maior capacidade intelectual e da aptidão pessoal de
alguns em relação a outros.

02. (UEL/2004) Em 1840, o francês Aléxis de Tocqueville, impressionado com o
que viu em viagem aos Estados Unidos, escreveu que nos EUA, "a qualquer
momento, um serviçal pode se tornar um senhor". Por sua vez, o escritor
brasileiro Luiz Fernando Veríssimo, autor de O analista de Bagé, disse, em 1999,
ao se referir à situação social no Brasil: "tem gente se agarrando a poste para não
cair na escala social e sequestrando elevador para subir na vida". As citações
anteriores se referem diretamente a qual fenômeno social?

a) Ao da estratificação, que diz respeito a uma forma de organização
que se estrutura por meio da divisão da sociedade em estratos ou
camadas sociais distintas, conforme algum tipo de critério estabelecido.
b) Ao de status social, que diz respeito a um conjunto de direitos e
deveres que marcam e diferenciam a posição de uma pessoa em suas
relações com as outras.
c) Ao dos papéis sociais, que se refere ao conjunto de comportamentos
que os grupos e a sociedade em geral esperam que os indivíduos
cumpram de acordo com o status que possuem.
d) Ao da mobilidade social, que se refere ao movimento, à mudança de
lugar de indivíduos ou grupos num determinado sistema de
estratificação.
e) Ao da massificação, que remete à homogeneização das condutas,
das reações, desejos e necessidades dos indivíduos, sujeitando-os às idéias e objetos veiculados pelos sistemas midiáticos.

03.Diferencie Estratificação Social de Mobilidade Social.

04. Quais os tipos de estratificação Social? Explique.

05. Desenhe a Pirâmide Social: das Classes Sociais, dos Estamentos e das Castas.

06. Relacione Estratificação com as Desigualdades Sociais.

07. “Umas das características fundamentais que distingue nossa sociedade das antigas é a possibilidade de mobilidade social.” Cite um exemplo para esta afirmativa.

08. Quais os tipos de Mobilidade Social?

09. “A mobilidade social ascendente também é mais comum na
sociedade americana do que no Brasil.” Explique .


Bons Estudos...


 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte 

4 comentários:

  1. os jovens de hj em dia, não esta se preocupando com as concequencias dos problemas que estão causando, pois eles so querem saber do hoje mas do amanha eles não se preocupa...um aviso para os jovens, antes de vcs resolver fazer algo que vc sabe que vai prejudicar as pessoas, pensei duas vezes antes de fazer, pois o futuro esta em suas mãos.....

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. 2 ano F
    alunos : Carlos Eduardo e Jose Ronaldo

    a desigualdade de hoje em dia continua muito intessa ocorre em todos os paises e isso é errado nao era pa aconteser isso pq todo mundo é igual e todo mundo merece ter uma vida boa .

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