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sexta-feira, 18 de julho de 2014

SERVIDÃO VOLUNTÁRIA E POLÍTICA CONTRA A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA



 servidão voluntária


Arissa Lépore 

A Tradição Libertária:
As teorias socialistas modernas são herdeiras da tradição libertária, isto é, das lutas sociais políticas populares por liberdade e justiça contra a opressão dos poderosos. Os pobres nesta época faziam uma ligação da Revolução Inglesa com o "fim", pensavam que era o fim dos tempos, porém com a chegada do novo milênio.
Acreditavam muito na questão do Anti-Cristo,(imagem de reis, imperadores), já que os sinais do "fim" para eles eram a fome, guerra e pestes, entretanto se eles se unissem, preparariam o mundo para a chegada de Cristo que derrotaria de vez o Anti-Cristo.
Nesta época surge uma obra de um jovem filósofo francês chamado La Boétie, na qual se levantava a seguinte questão: "Como era possível que nações inteiras, cidades inteiras se submetessem à vontade de um só"? De onde vinha tanto poder para esmagar as pessoas?
Ele mostra 2 respostas; uma seria que nós não obedecemos por medo e sim pelo desejo de domínio, na segunda ele se pergunta: De onde vêm esse desejo? Vêm do desprezo pela liberdade, se a desejássemos realmente não a trocaríamos por bens e posses. Ao fazer esta troca estaríamos aceitando infelizmente a servidão voluntária.
Mas então como derrubar um tirano e reconquistar a liberdade? Apenas não dando a ele o que ele pede e exige....assim ele cairia por terra ao ver sua ordem rejeitada.
Concluímos assim que das lutas populares e das tradições libertárias nascem as teorias socialistas modernas.

A política contra a servidão voluntária


Práxis e revolução • poiesis, ação fabricadora (o trabalho e as técnicas), e praxis (a ação livre do agente moral e do sujeito político) Das lutas populares e das tradições libertárias nascem as teorias socialistas modernas. São três as principais correntes socialistas modernas: Gênese da sociedade e do Estado Para Marx e Engels, os seres humanos são produtores: são o que produzem e são como produzem. A produção das condições materiais e intelectuais da existência não são escolhidas livremente pelos seres humanos, mas estão dadas objetivamente, independentemente de nossa vontade. Eis porque Marx diz que os homens fazem sua própria História, mas não a fazem em condições escolhidas por eles. São historicamente determinados pelas condições em que produzem suas vidas.
A produção e a reprodução das condições de existência se realizam, portanto, através do trabalho (relação com a Natureza), da divisão social do trabalho (intercâmbio e cooperação), da procriação (sexualidade e instituição da família) e do modo de apropriação da Natureza (a propriedade). São uma série de fatores que juntos formam um tipo de sociedade produzida pelos próprios seres humanos (às vezes sem ter noção disso, de certo modo). A política contra a servidão voluntária As teorias socialistas Conceito de
Servidão Voluntária O termo "servidão voluntária" surgiu há
mais de quatro décadas, no livro "Discurso da servidão voluntária" de Étienne de La Boétie. A obra problematizava o enigma da submissão de muitos a um. Fazendo uma analogia à uma balança, é como se a grama superasse o quilo. A dúvida principal de La Boétie é porque tantos homens
suportam um tirano que só lhes faz mal à medida que
aceitam sua situação de subordinados. O que mais chama
a atenção é que na grande maioria dos casos a servidão
não é imposta por força bruta ou enganações políticas. O filósofo dá inúmeras explicações a respeito da "impotência" do povo: o costume; a covardia e a dificuldade de se expressar dos sujeitos; o temor do desconhecido e do misterioso; e, mais importante, o estabelecimento de uma cadeia hierarquizada de tiranetes (os que abusam de sua posição). La Boétie opõe tirania e amizade: “não pode haver amizade onde está a crueldade, a deslealdade, a injustiça. Entre os maus, quando se juntam, há uma conspiração, não uma companhia; eles não se entre-amam, mas se entre-temem; não são amigos, mas cúmplices” SOCIEDADE x JUSTIÇA Socialismo Utópico: Essa corrente socialista vê a classe trabalhadora como despossuída, oprimida pelos tiranos e geradora da riqueza social (da qual não desfrutam). Para ela, os teóricos imaginam uma sociedade totalmente nova onde:

• não exista a propriedade privada
• lucro dos capitalistas
• exploração do trabalho
• desigualdade econômica, social e política.
• cidades organizadas em grandes cooperativas geridas pelos trabalhadores
• escola e educação para todos
• liberdade de pensamento e de expressão
• igualdade de direitos sociais (moradia, alimentação, transporte, saúde)
• e principalmente abundância e felicidade.

As cidades são comunidades de pessoas livres e iguais que se auto governam. São chamadas de sociedades utópicas porque infelizmente são tipos de cidades que não existem em lugar algum, e são criadas a partir do desejo dos subordinados. Os principais socialistas utópicos foram os franceses Saint-Simon, Fourier, Proudhon, Louis Blanc e Banqui, e o inglês Owen. Anarquismo: O anarquismo é uma crítica ao individualismo burguês e ao Estado liberal, considerado autoritário e antinatural. Acreditam na liberdade natural e na bondade natural dos seres humanos e em sua capacidade para viver felizes em comunidades. Atribuem que a sociedade (um grupo de indivíduos isolados e em luta) surgiu para sustentar a propriedade privada através da exploração do trabalho, e que o Estado foi criado para atribuir o poder dos mais fortes (os proprietários privados) sobre os fracos (os trabalhadores). Contra o artificialismo da sociedade e do Estado, propõem:
• o retorno à vida em comunidades auto governadas, sem hierarquias e autoridades com poder
• dois grandes valores: a liberdade e a responsabilidade
• descentralização social e política
• a participação direta de todos nas decisões da comunidade
• a formação de organizações de bairro, de fábrica, de educação, moradia, saúde, transporte, etc.
• organizações comunitárias participativas que formem federações nacionais e internacionais para a tomada de decisões globais, garantindo a democracia direta
• impedir o surgimento de aparelhos de poder que conduzam à formação do Estado.
• inibir a existência de exércitos profissionais
• a defesa da tese do povo armado ou das milícias populares, que se formam numa emergência

Os anarquistas são conhecidos como libertários, pois lutam contra todas as formas de autoridade e de autoritarismo. Além de Bakunin, outros importantes anarquistas foram: Kropotkin, Ema Goldman, Tolstoi, Malatesta e George Orwell, autor do livro 1984xxi. Comunismo ou socialismo científico: Crítica não só ao Estado liberal mas também às outras duas teorias socialistas, desenvolvida nas obras de Marx e Hegels. Perspectiva Marxista: Marx parte da crítica da economia política. Etimologicamente, economia (oikos e nomos: conjunto de normas de administração da propriedade privada) e política (polis: espaço público das leis e do direito) se contradizem.
A crítica da economia política consiste em mostrar que a política jamais conseguiu realizar a diferença entre ambas. O poder político sempre foi a maneira legal e jurídica pela qual a classe economicamente dominante de uma sociedade manteve seu domínio. As sociedades sempre foram divididas entre proprietários e não-proprietários, e o poder político nunca foi compartilhado para os não-proprietários.

• definição do homem como "indivíduo", sempre buscando a satisfação de suas necessidades
• noção de ordem natural racional, garantindo a todos os indivíduos a satisfação de suas necessidades e seu bem-estar
• noção de que, seja por bondade natural, seja por egoísmo, os homens agem em seu próprio benefício e interesse e, assim fazendo, contribuem para o bem coletivo ou social
• a propriedade privada é natural e útil socialmente/moralmente, porque estimula o trabalho e combate o vício da preguiça
• a concorrência é responsável pela riqueza social e pela harmonia entre interesse privado e coletivo É por afirmar que a sociedade se constitui a partir de condições materiais de produção e da divisão social do trabalho, que as mudanças históricas são determinadas pelas modificações naquelas condições materiais e naquela divisão do trabalho, e que a consciência humana é determinada a pensar as ideias que pensa por causa das condições materiais instituídas pela sociedade, que o pensamento de Marx e Engels é chamado de materialismo histórico. Onde há propriedade privada, há interesse privado e não pode haver interesse coletivo ou geral. Os proprietários dos meios de produção podem ter interesses comuns, pois necessitam do intercâmbio e da cooperação para manter e fazer crescer a propriedade de cada um. Assim, embora estejam em concorrência e competição, precisam estabelecer certas regras pelas quais não se destruam reciprocamente nem às suas propriedades. Sabem também que não poderão resolver as contradições com os não-proprietários e que estes podem, por revoltas e revoluções populares, destruir a propriedade privada. É preciso, portanto, que os interesses comuns entre os proprietários dos meios de produção e a força para dominar os não-proprietários sejam estabelecidos de maneira tal que pareçam corretos, legítimos e válidos para todos. Para isso, criam o Estado como poder separado da sociedade, portador do direito e das leis, dotado de força para usar a violência na repressão de tudo quanto pareça perigoso à estrutura econômica existente. E qual a gênese do Estado? Há também poder despótico (nascimento justifica o poderio), poder teocrático (sacralização do governante). No caso das repúblicas (democracia grega, o senado e o povo romano), leis definem quem pode ser cidadão e participar do governo. A ideologia • Nossas ideias, historicamente determinadas, têm
peculiaridade de nascer a partir de nossa experiência social direta.
• Feuerbach esse fenômeno na religião, designando-o com o conceito de alienação (por exemplo, na política, que leva os sujeitos sociais a aceitarem a dominação estatal porque não reconhecem quem são os verdadeiros criadores do Estado).
• Exemplo: os trabalhadores não só não se reconhecem como autores ou produtores das mercadorias, mas ainda acreditam que elas valem o preço que custam e que não podem tê-las porque valem mais do que eles.
• Essa inversão entre causa e efeito leva à produção de imagens e ideias que pretendem representar a realidade, um imaginário social invertido – um conjunto de representações sobre os seres humanos e suas relações, sobre as coisas, sobre o bem e o mal, o justo e o injusto, os bons e os maus costumes, etc. Tomadas como ideias, essas imagens ou esse imaginário social constituem a ideologia.
• À medida que, numa formação social, uma forma determinada da divisão social se estabiliza, se fixa e se repete, os indivíduos tende a considerá-los naturais (surge então formas inconscientes mas não louváveis de racismo, preconceitos e desigualdade social) • Apesar da valorização do trabalho e apesar da ideologia do direito natural, no momento de definir quem tem direito ao poder político, a classe dominante “esquece” a “dignidade do trabalho ” e declara o poder político um direito exclusivo dos homens independentes ou livres (no caso, os que não precisam trabalhar). • Liberdade, diziam gregos e romanos, é não precisar ocupar-se com as atividades de sobrevivência, mas dispor de ócio para cuidar da coisa pública.
• A economia política afirma que o salário corresponde aos custos e ao preço da produção de uma mercadoria. Então, calcula-se o que o trabalhador precisa para manter-se e reproduzir-se, deduzindo-se esse montante do custo total da produção e determinando o salário. Se tiverem essa ciência, se conseguirem unir-se e organizar-se para transformar a sociedade e criar outra sem a divisão e a luta de classes, passarão à praxis política. • A teoria marxista da revolução não se confunde, portanto, com as teorias utópicas e libertárias, porque não se baseia na miséria, na infelicidade e na injustiça a que estão submetidos os trabalhadores, mas se fundamenta na análise científica da sociedade capitalista. • Por isso, Marx e Engels disseram que a emancipação dos trabalhadores terá que ser obra histórica dos próprios trabalhadores. A sociedade comunista, sem propriedade privada dos meios de produção, sem classes sociais, sem exploração do trabalho, sem poder estatal, livre e igualitária, resulta, portanto, da praxis revolucionária da classe trabalhadora.



Fonte: http://prezi.com/dyh64zobsygh/a-politica-contra-a-servidao-voluntaria/




EXERCÍCIO DE FILOSOFIA COM QUESTÕES DE POLÍTICA.

Fonte: http://geraldofruet.blogspot.com.br/2010/12/simulado-de-filosofia-questoes-de.html



1. (UEL) “Toda cidade [polis], portanto, existe naturalmente, da mesma forma que as primeiras comunidades; aquela é o estágio final destas, pois a natureza de uma coisa é seu estágio final. (...) Estas considerações deixam claro que a cidade é uma criação natural, e que o homem é por natureza um animal social, e um homem que por natureza, e não por mero acidente, não fizesse parte de cidade alguma, seria desprezível ou estaria acima da humanidade.” (ARISTÓTELES. Política. 3. ed. Trad. De Mário da Gama Kuri. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1997. p. 15.)

De acordo com o texto de Aristóteles, é correto afirmar que a polis:

a) É instituída por uma convenção entre os homens.

b) Existe por natureza e é da natureza humana buscar a vida em sociedade.

c) Passa a existir por um ato de vontade dos deuses, alheia à vontade humana.

d) É estabelecida pela vontade arbitrária de um déspota.

e) É fundada na razão, que estabelece as leis que a ordenam.

Para os gregos polis é a Cidade entendida como a comunidade organizada formada pelos cidadãos, isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais portadores de dois direitos inquestionáveis, a isonomia (igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a Cidade deve ou não deve realizar). Para Aristóteles, “O homem é naturalmente um animal racional e político, destinado a viver em sociedade”.





2. (UFSM-PEIES) “Todavia, como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessam, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar. E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca serviram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença entre como se vive e o modo por que se deveria viver, que quem se preocupar com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria, do que o modo de se preservar.” (O Príncipe, de Maquiavel.) Nessa passagem, Maquiavel mostra que o domínio das ações humanas, no qual está incluída a política, deve ser concebido sob uma perspectiva realista.

Sobre essa maneira de conceber a política, é possível afirmar:

I. A política deve sempre ser pensada a partir de modelos ideais e da busca de soluções definitivas.

II. A política deve valorizar as experiências e os acontecimentos.

III. Concebe-se que a política deve se regular pelo modo como vivemos e não como deveríamos viver.

IV. Defende-se que a política deve ser orientada por valores universais e crenças sobre como deveria ser a vida em sociedade.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

a) I e II apenas.

b) I, II e II apenas.

c) II e III apenas.

d) III e IV apenas.

e) IV apenas.

Maquiavel rechaça a moral cristã como fundamento e finalidade da política. Para ele, o governante, se necessário, deve ser cruel e fraudulento para obter e se manter o poder “Os fins justificam os meios.”. Tratava-se de uma ideologia que pregava o relativismo da ética e da moral. Maquiavel entendia o mundo político e o descreveu como ele realmente é. - Não acredita na existência de um bom governo, encarnada na figura de um governante virtuoso. - A virtuosidade do governante esta em bem administrar e comandar o Estado.



3. (UFU) Muito citado, Nicolau Maquiavel é um dos maiores expoentes do Renascimento e sua contribuição determinou novos horizontes para a filosofia política.

 A respeito do seu conceito de virtú, analise as assertivas abaixo.

I. A virtú é a qualidade dos oportunistas, que agem guiados pelo instinto natural e irracional do egoísmo e almejam, exclusivamente, sua vantagem pessoal.

II. O homem de virtú é antes de tudo um sábio, é aquele que conhece as circunstâncias do momento oferecido pela fortuna e age seguro do seu êxito.

III. Mais do que todos os homens, o príncipe tem de ser um homem de virtú, capaz de conhecer as circunstâncias e utilizá-las a seu favor.

IV. Partidário da teoria do direito divino, Maquiavel vê o príncipe como um predestinado e a virtú como algo que não depende dos fatores históricos.

Assinale a ÚNICA alternativa que contém as assertivas verdadeiras.

a) I, II, e III.

b) II e III.

c) II e IV.

d) II, III e IV.


  Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte

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